- Vamos ganhar, Porco!
Era o grito de todo o estádio palmeirense naquela que parecia ser a última bola do jogo.
Quarenta e sete minutos de um segundo tempo duro como o clássico. Empate sem gols.
A desfalcada Lusa toda atrás, segurando direitinho um Palmeiras de momentos de um futebol bonito como há muito não se via no Palestra, e de finalizações ruins e nervosas como tantas dos últimos tempos mais negros que verdes.
O clássico iria até looongos 50 minutos.
Não eram necessários. Nó máximo 4 minutos de acréscimo caberiam.
E foi dentro desse tempo que Leandro levantou no segundo pau, David cabeceou no travessão, Diego Souza jogou pra dentro da pequena área e Jorge Preá fez seu primeiro gol palmeirense, aos 47min59s.
Um gol que o estádio cantou antes de a bola ser levantada da meia esquerda.
Um gol que o torcedor palmeirense pareceu pressentir antes de a bola ser cruzada.
Um gol que os torcedores dos grandes times parecem sentir (ou antever) como craques.
Ou apenas por saberem que certos times vivem dias e jogos iluminados.
Dias de craques.
Não parecia haver uma torcida do palmeirense antes da falta.
Parecia haver uma certeza no Palestra.
O gol sairia naquele lance.
Estava escrito nas oito estrelas do escudo que fica atrás daquela meta.
Pressentimento confirmado com o toque redentor de Preá.
Antecedido por uma comunhão emocionante da arquibancada com o time.
Seguido de uma das mais tocantes celebrações vistas no Palestra, com jogadores, comissão técnica e torcida correndo cada um para um lado diferente.
Ou melhor: todos para o mesmo lado. Para cima. Para o Palmeiras.
Celebração de um time que ainda não está pronto.
Mas que parece estar pronto para o que der e vier.
***
A sorte do campeão...
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